Bolsonaro enviou proposta no início do mês; texto prevê que indígenas poderão vetar garimpo, mas não hidrelétricas.

Segundo Maia, Câmara não dará 'urgência que alguns gostariam' ao tema.

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) Marcelo Camargo/Agência Brasil O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira (18) que o momento não é "adequado" para a discussão sobre o projeto do governo que trata de mineração e geração de energia em terras indígenas. O projeto foi assinado pelo presidente Jair Bolsonaro no último dia 5 e enviado à Câmara um dia depois.

Pelo projeto, os indígenas poderão vetar o garimpo nas terras, mas não a instalação de usinas hidrelétricas. Nesta terça, Rodrigo Maia foi questionado se manifestações de indígenas contrárias ao projeto podem fazê-lo devolver a proposta ao governo.

O presidente da Câmara, então, respondeu que não. "Eu não tenho como devolver, o projeto não é inconstitucional.

Eu acho que ele não está no momento adequado deste debate.

Este é um debate que precisava ser feito de uma outra forma, é primeiro discutir o tema, de forma um pouco mais ampla, para depois encaminhar um projeto que gera muitas dúvidas, muita insegurança para muitas pessoas.

Mas ele não é inconstitucional", declarou. "Vamos aguardar, vamos deixar ele [projeto] ali do lado da mesa para que, no momento adequado, a gente trate esse debate com todo cuidado do mundo", completou Maia. Segundo Rodrigo Maia, a proposta "não terá por parte da Câmara a urgência que alguns gostariam". Anseios dos povos indígenas Conforme o colunista do G1 Matheus Leitão, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) avalia que o projeto de Bolsonaro mostra que o governo desconsidera os anseios e as reivindicações dos povos indígenas. Na avaliação do secretário-executivo do Cimi, Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira, o projeto abre brecha para pessoas não-indígenas cuidarem de possíveis recursos oriundos da exploração sem definir como será a intervenção das comunidades nas tomadas de decisões. "Todo o projeto é preocupante.

Desde o início, considera a exploração dos recursos e não os impactos dessa exploração.

Já parte logo colocando que existem recursos para serem explorados.

Ao tomar essa iniciativa, o governo desconsidera a maioria da população indígena no Brasil, os seus anseios e suas reivindicações", declarou. Governo envia projeto que permite mineração e outras atividades em terras indígenas 'Sonho' Quando assinou o projeto, o presidente Jair Bolsonaro se referiu à regulamentação sobre um tema como um "sonho a ser realizado.

Bolsonaro emendou ainda dizendo que o índio "é tão brasileiro quanto nós." "Espero que esse sonho pelas mãos do Bento [Albuquerque, ministro de Minas e Energia] e os votos dos parlamentares se concretize.

O índio é um ser humano exatamente igual a nós.

Tem coração, tem sentimento, tem alma, tem desejo, tem necessidades e é tão brasileiro quanto nós", declarou o presidente na ocasião.