Mortes ocorreram em maio e, segundo a Polícia Civil, um dos funcionários da instituição asilar também atuava em hospital que é referência no tratamento da doença na cidade.

O G1 ouviu a gestão da entidade; veja vídeo.

Casa de repouso geriátrico de Juiz de Fora é indiciada por negligência após sete óbitos por coronavírus registrados Polícia Civil/Divulgação A Polícia Civil de Juiz de Fora concluiu, nesta quinta-feira (25), o inquérito que apurava a morte de sete idosos por Covid-19, na casa de repouso Residencial Geriátrico de Apoio à Pessoa Idosa (Regapi), no Bairro Santa Teresa, em Juiz de Fora.

Os óbitos de quatro pessoas do sexo masculino e três do sexo feminino, com idades entre 72 e 93 anos ocorreram em maio.

Outros dois idosos ficaram internados, mas já estão em fase de recuperação.

Segundo a Polícia, a investigação tinha o objetivo de verificar a ocorrência de culpa, negligência ou imprudência nas mortes.

As investigações constataram que um dos cuidadores do local, cuja idade não foi divulgada, também trabalhava no Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, unidade referência no tratamento da Covid-19 em Juiz de Fora.

O indivíduo foi diagnosticado com coronavírus no dia 29 de abril, quando foi afastado pela empresa.

As sete mortes dos internos foram registradas entre os dias 2 e 5 de maio.

A Polícia Civil registrou o fato como causador da contaminação no local e dos óbitos. A Regapi foi indiciada por negligência sem dolo, por permitir no local a presença de um funcionário que poderia ter tido contato com pessoas infectadas pelo coronavírus.

Dr.

Rodrigo Massaud, responsável pelas investigações, adiciona que "o cuidador também deveria ter se afastado das atividades, pois era um potencial risco aos idosos".

"Os estabelecimentos têm que adequar seus protocolos, para preservar a saúde daqueles que estão sob seus cuidados", reforçou Massaud.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, as duas clínicas da Regapi existentes em Juiz de Fora continuarão em funcionamento, já que seguem os critérios da vigilância epidemiológica e têm as autorizações necessárias.

Segundo o delegado, a casa de repouso detém de boa reputação junto aos familiares das vítimas.

Posicionamento do Regapi O G1 entrou em contato com a gestão do Regapi que, em nota afirmou considerar injusta a conclusão do inquérito por parte da Polícia Civil.

(Confira a nota na íntegra abaixo) "A representante legal da instituição manifesta perplexidade diante da injusta tentativa por parte da autoridade policial de responsabilização criminal por fatos que extrapolam qualquer atribuição dos responsáveis, em verdadeira responsabilização objetiva, tendo sido adotadas todas as diretrizes impostas pelos órgãos de saúde para fins de prevenção ao contágio por COVID-19.

Temos convicção plena de que, aportando o inquérito no Ministério Público, terá seu arquivamento determinado como medida de inteira justiça", afirmou a gestora da Regapi, Gleice Vellozo.

A gestora também se posicionou por meio do Instagram da instituição, onde voltou a manifestar revolta em relação à conclusão da administração policial.

Ela afirmou que o funcionário citado pelas investigações não trabalhava na linha de frente do Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus, e afirmou não existir uma norma técnica que estabeleça a necessidade de afastamento de funcionários de unidades hospitalares.

Além disso, Vellozo reforça que não se sabe se foi o funcionário que levou o vírus para dentro da casa de repouso.

Também no vídeo, a administradora afirma que afastou diversos funcionários que faziam parte de grupos de risco, e enfrentou desfalque na equipe da instituição.

"A Regapi vai tomar todas as previdências cabíveis em relação à essa possível negligência", finalizou Vellozo.

Assista o vídeo completo aqui.