Segundo dados do governo, 32.486 pessoas perderam a vida para o coronavírus no país.

No entanto, a seguridade social aponta para quase 19 mil vítimas fatais a mais nos meses de março e abril.

Segundo a seguridade social da Itália, cerca de 19 mil pessoas provavelmente morreram após terem sido contaminadas pelo coronavírus ou por sofrerem de outras doenças e não terem sido tratadas devido à superlotação dos hospitais nos meses de março e abril Reuters/Flavio Lo Scalzo Em março e abril, a taxa de mortalidade na Itália bateu recordes, registrando números extremamente superiores às médias registradas nos últimos cinco anos. No entanto, no balanço oficial do governo, é preciso adicionar quase 19 mil pessoas que provavelmente morreram após terem sido contaminadas pelo coronavírus ou por sofrerem de outras doenças e não terem sido tratadas devido à superlotação dos hospitais. Por isso, o Instituto Nacional de Previdência Social italiano (INPS) está reavaliando o prejuízo humano da epidemia e analisando o total de óbitos registrados durante o período.

O organismo utilizou um método novo de cálculo, dificilmente comparável com o realizado até hoje. No estudo publicado na quinta-feira (22) e divulgado pela mídia nacional, o INPS indicou que entre março e abril houve 156.429 mortes, ou seja, 46.909 a mais do que o estimado, calculado pela média do mesmo período nos anos 2015 a 2019. O número de óbitos declarados pela Defesa Civil - divulgado como referência - relacionados à Covid-19 no mesmo período foi de 27.938, destacou o instituto, que questionou a diferença de "18.971 mortes, 18.412 delas no norte", a região mais afetada pela pandemia. Segundo dados do INPS, as mortes entre março e abril no norte do país aumentaram 84% em comparação com a média dos anos anteriores.

No centro, o aumento foi de 11% e no sul, de 5%. Por isso, a agência considerou a contagem oficial de óbitos por Covid-19 "não confiável".

No entanto, esclareceu que o aumento das mortes "não foi apenas impulsionado pela epidemia, mas também pelas consequências do confinamento", referindo-se a pessoas que morreram de outras doenças, mas não receberam tratamento. Epidemia segue ativa, mas italianos estão nas ruas Apesar da diminuição das contaminações e das mortes, o vírus segue circulando no país.

O governo se preocupa principalmente que, com o relaxamento das medidas da quarentena, a situação volte a se agravar nas próximas semanas. Com o fim gradual do confinamento e com os belos dias de primavera, os italianos saem às ruas para encontrar os amigos e frequentar bares e restaurantes, que reabriram na segunda-feira (18).  Em toda a península, de Turim, no norte, à Palermo, no sul, os jovens saíram em massa de casa - um comportamento que irritou o chefe do governo Giuseppe Conte. “Não é momento para festa!”, afirmou.

“Durante a fase atual, é mais do que nunca necessário respeitar a distância física e usar máscaras quando for preciso”, reiterou. As mídias locais registraram a empolgação da população após mais de dois meses de confinamento.

“Fase 2 (do fim da quarentena): a via noturna é retomada, com multidões sem máscara durante o happy hour”, publicou na quinta-feira o jornal "La Repubblica". Em Padova, no Vêneto, fotos de jovens aglomerados sem máscara e bebendo ao ar livre suscitaram irritação no presidente da região, Luca Zaia.

“Em dez dias, poderemos realmente ver a taxa de infecção aumentar.

Se for o caso, vou mandar fechar todos os bares, restaurantes e praias, e vai ser preciso se confinar de novo”, ameaçou. No último domingo (17), na véspera da reabertura de bares e cafés, Giorgio Gori, o prefeito de Bergamo, cidade que foi durante semanas o epicentro da epidemia no norte da Itália, se alarmou com a quantidade de pessoas que deixaram de respeitar as medidas básicas de proteção contra a doença nos locais públicos. “Isso me deixa louco! Centenas de mortos em nossa cidade e isso não é suficiente? Vamos ter que passar pela mesma tragédia daqui a um mês?”, publicou em seu perfil no Facebook. Cinco milhões de casos Segundo um balanço realizado na quinta-feira pela agência de notícia AFP, com base em dados oficiais, havia mais de 5 milhões de infectados por coronavírus no mundo na quinta-feira, além de 329 mil mortos. A América é o continente onde a doença mais avança atualmente, especialmente no Brasil, onde o número de mortos ultrapassou 20 mil, com o recorde 1.188 óbitos em 24 horas.

Os Estados Unidos continuam liderando no número de mortes, com mais de 95 mil. De acordo com o balanço da AFP, a Europa é o continente com o maior número de casos – quase 2 milhões de contaminações e 170 mil mortos.

No Velho Continente, o Reino Unido lidera o balanço de óbitos, com 36.042 mortos, seguido pela Itália (32.486), França (28.215) e Espanha (27.940). Initial plugin text